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domingo, 23 de agosto de 2015

RESENHA #34: A ÚLTIMA CARTA, DE DAVID LABS

Ficha Técnica

Título Nacional: A Última Carta (Skoob)
Autora: David Labs
Editora: Biruta
Ano: 2012
ISBN: 9788578480905
Páginas: 139
Formato: 17,0 X 24,0 cm
Acabamento: Brochura
Gênero: Ficção, Suspense, Romance






Sinopse

Luda, apesar de inconformada, parecia já ter seu destino traçado: casaria por conveniência aos interesses familiares, e viveria para sempre em sua cidade natal, cuja população e valores Luda desprezava.
Contudo, a chegada de uma carta anônima alteraria completamente o curso de sua vida e, a partir daí, sua história passaria a conter muitas lacunas, segredos e imprecisões. O que seria real, o que seria falso?
Através de notícias de jornal, diários, cartas e um tanto de imaginação, o narrador de A Última Carta empreende uma busca pela verdadeira história de Luda, entre as ruas de uma pequena cidade burguesa parada no tempo e os bulevares de Paris do final da Segunda Guerra Mundial, você acompanhará a investigação de todos os mistérios que permearam a vida de Luda – desde o recebimento da primeira carta, até a chegada da última.


Autor

David Labs é sociólogo, professor universitário e atua como articulista. Nascido em Assis (SP), venceu o prêmio AFALESP de 1997, com o conto O Homem Só e, nas edições seguintes, classificou as obras O Caso dos Filhos de Job e Cotidiano, garantindo o segundo e terceiro lugares nos certames. Publicou recentemente dois contos em uma coletânea e A Última Carta é seu primeiro romance.


Opinião

Foi com grande alegria que aceitei o convite da Monika Andreotti, blogueira do Monykisses, para realizar a resenha deste livro em um book tour. Para mim, a oportunidade perfeita de conhecer mais um livro e ainda por cima, de uma editora da qual nunca havia lido nada.

Comecei a leitura sem esperar nada surpreendente, e de fato, a história não tem elementos fantásticos, sobrenaturais e afins (tá, talvez bem de levinho, vai!). O interessante é a forma como o autor (brasileiríssimo!) consegue prender nossa atenção. Uma narrativa simples, mas bem feita e com um português impecável.

A personagem principal é Luda, e temos acesso a ela com uma narrativa em primeira pessoa através de suas anotações de diários e cartas; mas há uma mescla e também temos um narrador em terceira pessoa, que é um menino curioso sobre o passado da senhorinha de setenta anos chamada Luda. É ele quem reúne fatos e inventa, quando necessário, diálogos para escrever sobre a vida desta senhora misteriosa.

Há muitas idas e vindas no passado, então a narrativa não é totalmente linear. Mas apesar de tudo isso, não é confuso saber quem fala ou ligar os fatos, mesmo porque a editora teve o carinho de fazer cada narrador escrito com letra e até cor diferentes.

Estamos no ano de 1944 e Luda, que mora em um pequeno vilarejo chamado Vagas do Destino - nome sugestivo, não? -, é obrigada a tomar parte em um casamento arranjado e, apesar de não querer, tampouco enxergava uma saída. Mas eis que surge um admirador secreto, que lhe envia uma carta anônima. Escrever cartas e anotar suas experiências em um diário são hábitos de Luda desde 1939, já que aparentemente, ela sempre foi solitária durante toda sua vida.

Voltando ao homem misterioso que lhe escreve, era a válvula de escape que ela precisava. Passa a planejar seu futuro todo com Jacques em mente. A princípio, vemos uma menina frágil, indefesa, mas que com o tempo perde este posto e, em alguns momentos, pode até ser considerada fria e sem coração. Mas, será que todas as situações que Luda viveu, algumas inusitadas, são reais? Ou foi tudo fruto de sua imaginação? Ou até mesmo uma mistura de realidade e ilusão?

Se eu tivesse que fazer alguma ressalva em relação à edição, seria da sinopse atrás, pois para mim ficou estranho tudo espremido de um lado e o resto vazio. E as ilustrações dão um charme ao livro, mas não são tão claras. Talvez a ideia seja mostrar que Luda é uma mulher confusa ou com algum distúrbio mental.

Foi o primeiro livro que deixa o final (e talvez o meio e o começo também) em aberto, ou seja, sem dar respostas e um destino certeiro para seu personagem, do qual eu gostei. 

Bem, não costumo fazer isso, porém eu PRECISO dar minha opinião sobre o final do livro, mas não quero estragar a leitura para ninguém, então quem não quiser saber mais detalhes, já pode passar para o próximo item da resenha.


SPOILER: Este livro provavelmente me deixará com certa dúvida para sempre (isso se eu não decidir contatar o autor), mas após refletir um bocado, acredito que Luda se utilizou de uma gota daquela substância tóxica que a vidente lhe entregou logo no começo do livro, durante muitos anos. Isso gerou alucinações, dentre elas a de Jacques, e mesmo todas as mortes que ela diz ter sido causadora. E claro que eu me perguntei como as cartas teriam existido, então, caso seu amante não passasse de uma ilusão. Simples: ela mesma pode ter escrito para si. Todos os fatos apontam para esquizofrenia, além do abuso sexual que ela sofria por parte do pai. Ademais, o casarão do cardeal em que ela supostamente foi encontrar com Jacques, sua mãe disse não passar de ruínas. Sob o efeito de tranquilizantes, ela é levada pela família à Cabo, e Jacques está lá, sendo que ela nem teve como avisá-lo. Para mim, é uma das evidências mais fortes de sua loucura. A mãe a olha com estranheza, como se tivesse medo, e seus cunhados ameaçam colocá-la em um hospício.

Apesar de minhas certezas, ainda tenho dúvidas, pois conforme o narrador mesmo diz “E, admito, quando mais acreditei em seus relatos foi nos momentos em que tinha certeza de que mentia”. Então, pode tudo ser verdade, só uma parte ou nada! Leiam e decidam. FIM DO SPOILER.
       

Frases Marcantes

“Acredito que as leituras exigem responsabilidade. Não se pode decorar algumas páginas e dizer que se conhece um livro. Heréticos.”

“(...) devo espantar ideias de superioridade. É preciso agir com a inteligência, não com a pretensão, invariavelmente traiçoeira.”

“Voltar atrás traria uma compensação. Mas negar-me à possível felicidade no último momento seria redenção ou utopia?”


Capa e Diagramação



A capa é totalmente fosca, trabalhada no verde limão e no roxo, além de detalhes em preto. A figura em roxo parece até uma gravata, mas na verdade é uma torre; pelo menos, é assim que eu enxergo e tem ligação com a história. Os capítulos sempre se iniciam em uma nova página, que são, em sua maioria, brancas, com algumas em preto ou roxo, ou possuindo ilustrações um tanto quanto abstratas. Dentro de cada capítulo, temos diversas datas. Possui orelhas.
São três tipos de letras, sendo duas na cor preta e uma na cor roxa. Uma das em preto é escrita em itálico, tudo isso para diferenciar o narrador. O espaçamento é bom e a numeração das páginas fica a cerca de ¼ do tamanho da página, na parte inferior externa. Há somente um erro de digitação, o que muito me agradou! Excelente trabalho da Editora Biruta.



Nota



Onde Comprar



O livro é uma cortesia da blogueira Monika Andreotti e da editora Biruta. A resenha realizada aponta pontos positivos e/ou negativos encontrados pelo autor do post no decorrer da leitura. A opinião do autor é pessoal e independente da editora e/ou autor do livro.




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