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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

RESENHA #38: ABANDONADO, DE VINÍCIUS PINHEIRO

Ficha Técnica

Título Nacional: Abandonado (Skoob)
Autora: Vinícius Pinheiro
Editora: Geração Editorial
Ano: 2015
ISBN: 97885 81300986
Páginas: 188
Formato: 16,5 X 24,3 cm
Acabamento: Brochura
Gênero: Romance






Sinopse

No intrigante filme Dogville, do dinamarquês Lars Von Trier, habitantes de uma cidade à beira do fim do mundo se comportam como ratinhos de laboratório. O diretor nos faz ver quão ridículos somos quando vistos do alto. Em Abandonado, Vinícius Pinheiro leva seus personagens para reinar na estonteante São Paulo, cidade que centrifuga tudo o que há de bom e ruim numa força avassaladora. Todos tentam dar o melhor de si, mas parecem ridículos. Tentam se levar a sério, mas percebem que o mundo está se tornando uma grande piada. Somos nós lutando para sobreviver e viver nas poucas horas vagas, enfrentando dificuldades financeiras, chefes carrascos, a mediocridade e o imediatismo que nos impedem de ser um pouquinho original. Tudo é produção, tudo é pra ontem, tudo é insumo. Nas pinceladas das palavras, Vinícius vai desenhando momentos de ironia, sarcasmo, e nos faz rir das próprias desgraças, das próprias fragilidades. Assim, nos sentimos mais humanos quando viramos a última página. Faz lembrar os versos de Fernando Pessoa em Poema em linha reta: “Ora, então são todos semideuses? Onde há gente neste mundo?”


Leia um Trecho



Autor

Vinícius Pinheiro é ex-escritor. Nasceu em Santos (SP), em 1977, e vive hoje em São Paulo, onde trabalha como jornalista especializado em economia e finanças. Estreou na literatura em 2007, com o romance O roteirista (rocco), e também o ensaio Plínio Marcos – A crônica dos que não têm voz (Boitempo Editorial, 2002). É casado e pai do André e da Helena.



Opinião

Alberto Franco é quem narra a história, como se estivesse falando diretamente com o leitor. É através de suas lembranças que sabemos o desenrolar de parte da sua vida. A princípio, ele é um homem fracassado, mas que depois consegue um emprego para trabalhar como jornalista, mesmo sem ter formação para tal. Claro, ele escreve bem. Quem arrumou esse serviço para ele foi seu amigo de república, Daniel.

Sim, ele divide um apartamento com mais 3 homens, cada qual com suas manias. Tem o já mencionado Daniel, que se acha um escritor excelente. Renato, que é tão ou mais “vagabundo” que o próprio Alberto. E Nélio, primo de Renato, é um cara rico e que preza sua privacidade acima de tudo.

Era preciso explicar esses pormenores, antes de dizer que logo na primeira página, Alberto conhece Clara, uma atriz e dubladora, que logo lhe oferece um trabalho como roteirista, baseada em um curta supostamente medíocre que ele produziu. Eles começam um relacionamento, e logo ela fica em definitivo no apartamento, se tornando o 5º elemento. Ela é daquelas visitas que vai ficando, sabe? Quando vai ver, já virou moradora.

Preciso confessar que desde o princípio, achei que essa relação não vingaria, mas para saberem ao certo, precisarão pegar o livro em mãos. E por qual motivo pensei isso? Simples: Clara não é uma mulher em quem se possa confiar, por ser  volúvel e um tanto quanto excêntrica. Mas preciso lhe dar o crédito, já que desde o começo ela diz “Pode não parecer, mas sou uma pessoa perigosa”.

Além dessa relação com os amigos e com Clara, o livro retrata a relação de Franco com o trabalho e como a cobrança chega a ser absurda, insuportável. Como bem descreve a sinopse, é tudo na base do imediatismo, sem dar um fôlego. E quando surge algo que aparentemente alavancará a carreira, aquele tão acalentado sonho, não é tão bom quanto se esperava.  

O livro possui uma linguagem mais rebuscada, porém sem ser de difícil compreensão. Gostei bastante da escrita de Vinícius, apesar de não saber se depreendi (tenho quase certeza de que não) as mensagens do livro em sua totalidade. Lá para o finalzinho, confesso que ficou um pouco confuso para mim, como se não houvesse distinção entre o que foi realidade e o que foi invenção, ou mesmo o que possui um misto dos dois, por parte de Alberto.

Apesar de poder acontecer uma identificação com uma ou outra situação que ele vive, não achei tão plausível assim, considerando a totalidade da história, já que é uma somatória de improbabilidades. E não posso falar muito mais do que isso sem dar spoiler. De qualquer forma, sugiro o livro para todos que querem uma leitura fluida e com uma linguagem impecável, com leves toques de humor (mesmo que seja humor negro), além de um bom trabalho por parte da editora.
      

Frases Marcantes

“Na época, andava com uma ideia fixa: a de que todos queriam me foder. Poderia bem ser uma forma de culpar os outros pelos meus próprios erros. Mas não.”

“Assim como eu, Renato não tinha ideia sequer de um roteiro de vida. Deixava os dias passarem sem a menor preocupação com o destino do personagem principal, na certeza de que as coisas se acertariam.”

“Engraçado. Quis perguntar a ele o que faz de um escritor um escritor frustrado: não conseguir escrever? Não ser publicado? Ser publicado e não fazer sucesso? Fazer sucesso e não o repetir num próximo livro? Ou pior, ser publicado e bem-sucedido enquanto tantos escritores frustrados, porém mais talentosos, não conseguem?”


Capa e Diagramação



A capa é totalmente fosca, trabalhada no verde, preto e bege. Os capítulos sempre se iniciam em uma nova página, que são brancas. Possui orelhas.
A letra possui bom tamanho, o espaçamento é bom e a numeração das páginas é no canto inferior externo. As páginas que iniciam capítulos não são numeradas. Encontrei somente três erros de digitação/revisão, que não prejudicam a leitura.


Nota



Onde Comprar



O livro faz parte de nosso acervo pessoal. A resenha realizada aponta pontos positivos e/ou negativos encontrados pelo autor do post no decorrer da leitura. A opinião do autor é pessoal e independente da editora e/ou autor do livro.




Postado por


8 comentários :

  1. Oi, Amanda!
    Apesar de ter gostado muito da sua resenha, o livro "Abandonado", não faz o meu gênero.
    Desejo que você tenha um feliz Natal e um ótimo ano novo.
    Beijokas!

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    1. Oi, Kênya!
      Apesar do atraso nas respostas, espero que também tenha tido um Natal e Ano Novo maravilhosos!
      Beijos.

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  2. Boa Tarde.
    Apesar de amar sua resenha, não gostei da sinopse e nem do pouco do livro que foi falado, além do gênero passar longe do meu gosto, acho que esse livro não conseguiria me prender, talvez durante o ano eu considere essa leitura, mais agora não, quem sabe.

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    1. Oi, Marlene.
      Pois isso que é o bom de ler a sinopse e uma boa resenha, para saber se o livro vale o seu tempo ou não. Claro que cada um terá uma visão do livro X e do livro Y, mas em geral, não muda tanto.
      Beijos.

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  3. Li a sinopse que não gostei mas sua resenha melhora o livro. Na verdade quem vive em metropoles acabam sempre sendo ratos de laboratório. Não tem tempo pra nada, uma correria sem fim e quando chega o final do dia viu que ainda ficou muito a fazer. Bem diferente de cidade pequena, onde se leva a vida de maneira calma e se curte todos os momentos.
    Não conhecia o livro e nem o autor mas se tiver oportunidade de ler o livro, é claro que lerei com prazer.

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    1. Fico contente que minha opinião do livro tenha feito ele parecer mais interessante, isso é um grande elogio!
      Espero que, se tiver a oportunidade de lê-lo, aproveite a leitura.
      Beijos.

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  4. A resenha esta perfeita, esse tipo de gênero me agrada, mas não sei se pelo conjunto todo da obra e a capa que não me chamou a atenção (até diria que não era um romance de forma alguma), não me pareceu ser tão entusiasmante assim, mas daria uma chance para o livro, sem problemas!
    bjs!

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    Respostas
    1. Dê uma chance sim, Ana. O blogueiro dá um norte ao expressar sua opinião, mas quem deve tirar sua própria conclusão é o leitor. Algo que não funcionou muito para mim, pode ser aquilo que te agradará imensamente.
      Beijos.

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