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quinta-feira, 10 de março de 2016

RESENHA #62: O CÍRCULO, DE DAVE EGGERS

Ficha Técnica

Título Nacional: O Círculo (Skoob)
Título Original: The Circle (Goodreads)
Autor: Dave Eggers
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2014
ISBN: 9788535924787
Páginas: 528
Formato: 14,0 X 21,0  cm
Acabamento: Brochura
Gênero: Ficção Científica, Distopia





Sinopse

Encenado num futuro próximo indefinido, o engenhoso romance de Dave Eggers conta a história de Mae Holland, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo: O Círculo. Sediada num campus idílico na Califórnia, a companhia incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário, que cria uma identidade on-line única e por consequência, uma nova era de civilidade e transparência.
Mae mal pode acreditar na sorte de fazer parte de um lugar assim. A modernidade do Círculo aparece tanto na sua arquitetura quanto nos escritórios aprazíveis e convidativos. Os entusiasmados membros da empresa convivem no campus também nas horas vagas, seja em festas e shows que duram a noite toda ou em campeonatos esportivos e brunches glamorosos. A vida fora do trabalho, porém, vai ficando cada vez mais esquecida, à medida que o papel de Mae no Círculo torna-se mais e mais importante.
O que começa como a trajetória entusiasmada da ambição e do idealismo de uma mulher logo se transforma em uma eletrizante trama de suspense que leva questões fundamentais dobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano.


Opinião

"MEU DEUS, PENSOU MAE. É O PARAÍSO"

Assim começa esse romance ficcional do escritor americano Dave Eggers. Mae Holland fica surpresa e encantada ao conhecer as instalações do Círculo, uma megacorporação tecnológica e inovadora que unificou todas as informações de seus usuários em uma só conta, com uma só senha. A conta deve ser criada a partir do número de identidade do usuário, evitando assim a criação de fakes.

Com o apoio de Annie que já possui um cargo de importância na organização , sua melhor amiga desde os tempos da faculdade, Mae finalmente abandona o seu cargo maçante e sem grandes perspectivas em uma organização pública e começa a trabalhar no Círculo. A coordenação da megacorporação fica a cargo dos Sábios, denominação figurativa de três indivíduos, responsáveis pela gestão de todos os projetos inovadores criados pelos funcionários mais qualificados. Mae inicia suas atividades na EC (Experiência ao Cliente) onde ela deve manter notas altas de satisfação no atendimento, além de ser incentivada de uma forma questionável a participar ativamente das interações sociais da empresa e manter o seu perfil online sempre atualizado.

A avaliação de desempenho da empresa vai além das qualificações pelos serviços prestados aos clientes. Cada funcionário possui um "ranking social". Quanto mais se posta fotos, compartilha notícias, comenta e curte as publicações alheias, maior é a sua posição no ranking. Afinal, o Círculo é mais do que uma organização. É uma sociedade.

No início, Mae apresenta certo desconforto em participar, tão ativamente quanto o exigido, das atividades do Círculo. Porém, depois de certo tempo, encontramos a personagem completamente absorta na comunidade por eles criada. É interessante ver essa transição da personagem. A forma como, aos poucos, ela sucumbe à pressão da companhia e colegas de trabalho pela integração social. Ela cede de tal forma que aceita ser uma das primeiras participantes do novo projeto da organização: a transparência. Mae passa então a usar uma câmera junto de si que nunca é desligada. Seus espectadores podem ver, ouvir e opinar sobre cada mínimo acontecimento do seu dia.

Apesar da leitura ser um pouco maçante não só nos primeiros capítulos, a narrativa intercala entre empolgação pura e "que vontade de dormir" , gostei muito da proposta do autor. O cenário fictício por ele elaborado é quase palpável, de tão similar e plausível com a época da tecnologia e redes sociais que hoje vivemos. A cada página lida podemos perceber a crítica social presente na obra e a semelhança com a grande e atemporal obra de George Orwell, "1984". Inclusive pelas três máximas propostas na apresentação do projeto de transparência:

"Segredos são mentiras
Compartilhar é cuidar
Privacidade é roubo"

Os personagens são, em sua maioria, rasos. A exceção cabe ao misterioso Kalden. Não sabemos exatamente de onde ele veio, quem ele é ou o que faz no Círculo. Talvez esse seja o motivo pelo qual ele é o personagem mais interessante da história. Não vejo isso como ingenuidade do autor, pelo contrário, acredito que ele soube exatamente como construir a personalidade dos personagens que aceitam sem questionar e inclusive apreciam essa forma de ditadura imposta a eles.

Aconselho a leitura aos jovens que querem começar a explorar o mundo das distopias, pela sua narrativa fácil e pelo tema atual. Aos macacos-velhos da literatura, não iniciem a leitura com grandes expectativas, pois ela vai deixar a desejar.

Prometeram, para o ano de 2016, a adaptação cinematográfica de O Círculo que já conta com Emma Watson e Tom Hanks no elenco. O autor está ajudando na elaboração do roteiro, portanto podemos esperar algo fiel.  


Frases Marcantes

"Agora todos nós somos Deus. Todos nós, em breve, poderemos ver e julgar uns aos outros. Veremos o que ele vê. Vamos articular o juízo dele. Vamos canalizar sua ira e distribuir seu perdão. Num nível global e constante. Estava à espera disso, o momento em que todo o ser humano será um mensageiro direto e imediato da vontade de Deus. Entende o que estou dizendo?"

"Todos nós temos o direito de saber tudo o que pudermos saber"

"No mundo digital de hoje, a privacidade é roubo"


Capa e Diagramação




Quanto ao trabalho gráfico, sou apaixonada por essa capa. A revisão possui erros tão insignificantes que não causa nenhum incômodo durante a leitura. Ótimo trabalho da Companhia das Letras, como sempre.


Leia um Trecho



Nota



Autor

Dave Eggers nasceu em 12 de março de 1970 em Boston, Massachusetts. Em atividade desde 1993, o currículo do autor inclui quadrinhos, obras de ficção e não-ficção e roteiros de cinema. Seu primeiro livro foi uma memória (com elementos fictícios) chamado "Uma Comovente Obra de Espantoso Talento", em 2000. O livro foi finalista do Prêmio Pulitzer na categoria Geral Não-ficção.

Onde Comprar



O livro faz parte de nosso acervo pessoal. A resenha realizada aponta pontos positivos e/ou negativos encontrados pelo autor do post no decorrer da leitura. A opinião do autor é pessoal e independente da editora e/ou autor do livro.


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2 comentários :

  1. Ei, te indiquei para um prêmio lá no meu blog. É como uma "corrente de indicações e espero que você goste das minhas. Beijos, Isa.
    http://belblioteca.blogspot.com.br/2016/03/premio-dardos.html

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    Respostas
    1. Muito obrigada pela indicação!
      Verificarei melhor do que se trata e divulgarei assim que possível! =)
      Beijos.

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