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sexta-feira, 22 de abril de 2016

RESENHA #69: ARCO DE VIRAR RÉU, DE ANTONIO CESTARO

Ficha Técnica

Título Nacional: Arco de Virar Réu (Skoob
Autor: Antonio Cestaro
Editora: Tordesilhas
Ano: 2016
ISBN: 9788584190355
Páginas: 152
Formato: 21,0 X 13,8  cm
Acabamento: Brochura
Gênero: Romance






Sinopse

Narrativa labiríntica escrita em primeira pessoa, Arco de virar réu descreve os eventos que marcam a deterioração física e mental do narrador-protagonista. Historiador social com forte inclinação para o estudo antropológico, ele é obcecado pelos rituais e pelos costumes dos índios tupinambás. A história começa com o surgimento dos primeiros sintomas de esquizofrenia em seu irmão, nos anos 1970, segue pela adolescência, quando, inspirado em rituais indígenas, o narrador passa a se dedicar à ocultação de cadáveres, e termina com a dolorosa percepção da própria loucura. Digressões delirantes misturam-se a fragmentos de memória e a pesadelos que, aos poucos, colocam em dúvida a própria existência.


Opinião

Foi um grande prazer ser convidada a participar do Encontro de Blogueiros Torsedilhas (cobertura AQUI), no qual ficamos sabendo de todos os lançamentos do ano que sairão por este selo da Editora Alaúde. Antonio Cestaro, fundador do selo e autor de “Arco de Virar Réu” estava lá e nos presenteou com um exemplar de seu livro, o qual me deu muito gosto ler.

O narrador-protagonista possui dois irmãos mais novos, Pedro e Clara. Vive também com sua mãe Tereza, uma mulher com problemas de alcoolismo, e seu pai os abandonou. Outros personagens são Carol (esposa do protagonista), Dinalva, tia Rosana e Juca Bala, filho desta última, bastante importante para o desenvolvimento da história. Em uma família tão problemática, somente a irmã Clara parece ser completamente sã.

Acredito que, com este resumo e a sinopse, é possível ter uma boa noção do que a narrativa tratará. Não espere ação ou reviravoltas significativas, pois não é o objetivo deste livro. Também não vá ler pensando que saberá como é a rotina de um historiador social ou dos índios tupinambás. Tudo isso é só um pano de fundo para contar uma história mais introspectiva, de mudanças internas que o próprio narrador vai se dando conta e, em muitos momentos, como dar-se conta é difícil de suportar ou de saber diferenciar o real das invenções de sua mente.

Por ser narrado em 1ª pessoa, chega um ponto no qual não se sabe em que acreditar, ou mesmo quem existiu ou não na vida dele verdadeiramente, apesar de eu ter minhas crenças pessoais – as quais não compartilharei, pois cada um deve tirar sua própria conclusão ao término da leitura. O livro é dividido em três partes, e não foi tão fácil para mim identificar o porquê delas e não de uma narrativa contínua, sem divisões. Contudo, representa uma maneira de demarcar passagem de tempo, e se o leitor não se atentar, pode muito bem deixar passar despercebido.

Escrito com primor e com uma revisão maravilhosa, além da belíssima capa, “Arco de Virar Réu” traz uma história mais “parada”, que trabalha bastante o psicológico de seu leitor. Não é um livro para todos (eu mesma demorei um pouco para concluir a leitura), pois possui uma linguagem mais rebuscada ou menos direta. Porém, pode ser uma boa pedida para quem quer um livro curto e com escrita impecável, trazendo reflexões sobre como a loucura pode afetar até as mentes mais brilhantes e promissoras.
   

Frases Marcantes

“Dias mais tarde entraríamos em dezembro, com sua força simbólica capaz de representar emoções festivas que se desgastam com o amadurecimento.”

“Contudo, extraí da viagem experiências únicas e a confirmação da ideia de que o conceito de realidade é mesmo abstrato e particular.”

“Não há cura possível para as doenças da alma, e remédio definitivo cabe à serventia da morte, com a sua eficiência antisséptica, que elimina, seca, anula, aborta, extingue, recicla e devolve ao planeta apenas uma pequena porção de matéria orgânica que se funde com o solo para fazer brotar de jequitibás a ervas daninhas.”

“Estou assimilando a ideia de que dormir e sonhar é o ensejo para mergulharmos na natureza essencial daquilo que seríamos se não fosse o pacote de regras que exigem, desde o berço, que sejamos o mais próximo daquilo a que fomos, por manipulação e interesses alheios, destinados.”

“Um intelecto psicotizando é algo que amedronta mais do que um psicótico inteligenciando.”


Capa e Diagramação



A capa é muito linda, jogando com tons de bege, laranja, verde e preto. O contorno dos índios e o título são estilo envernizados. As páginas são amareladas e a diagramação é simples. O livro é dividido em três partes, com alguns capítulos cada uma. Possui orelhas.
O tamanho da letra é grande e o espaçamento entre linhas é bom. A numeração das páginas é no canto inferior externo. Não encontrei nenhum erro de revisão/digitação, mostrando um excelente trabalho da Tordesilhas.



Leia um Trecho



Book Trailer



Nota



Autor

Antonio Cestaro nasceu em 1965, em Maringá, Paraná. É editor, fundador do selo Tordesilhas, dedicado à literatura. Em 2012 estreou como escritor com o livro de crônicas Uma porta para um quarto escuro, que ganhou o prêmio Jabuti na categoria Projeto Gráfico. Em 2013 publicou seu segundo livro de crônicas, As artimanhas do Napoleão e outras batalhas cotidianasArco de virar réu é seu primeiro romance.
Onde Comprar



O livro é uma cortesia da editora Tordesilhas. A resenha realizada aponta pontos positivos e/ou negativos encontrados pelo autor do post no decorrer da leitura. A opinião do autor é pessoal e independente da editora e/ou autora do livro.


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