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sábado, 4 de fevereiro de 2017

RESENHA #121: CICATRIZES NA PAREDE, DE ESDRAS PEREIRA

Ficha Técnica

Título Nacional: Cicatrizes na Parede (Skoob
Autor: Esdras Pereira
Editora: Autografia
Ano: 2016
ISBN: 9788555264870
Páginas: 252
Formato: 22,9 X 15,8 X 1,3 cm
Acabamento: Brochura
Gênero: Ficção, História






Sinopse

A rica narrativa de Cicatrizes na Parede se inicia com Enitan, um orgulhoso guerreiro yorubá, sequestrado com a sua família em 1830 nas savanas africanas, vendido como mercadoria no porto de Biafra e embarcado em um navio negreiro para cumprir a sua sina de escravo reprodutor em uma enorme senzala no Brasil, semeando de negros, pardos, mulatos e cafusos os vastos canaviais dos Campos dos Goytacazes, fertilizados com o sofrimento e o suor dos negros escravizados.
Uma saga que se desenrola em condições brutais, baseada em pesquisas históricas, fatos reais ficcionados e fatos fictícios que traduzem a dura realidade do preconceito de cor e social até os tempos atuais, mostrando a trajetória dos negros em um caleidoscópio de personagens fortes e passagens marcantes, que levam o leitor a passear como privilegiado voyeur pelos bastidores dos solares, das senzalas, dos prostíbulos, do cárcere, do homossexualismo, da prostituição, da violência, das drogas e da aids, até os elegantes salões da sociedade campista, espelho de um Brasil colonizado com o trabalho e o sacrifício alheio.


Opinião

O primeiro capítulo foi bem promissor, com o desenrolar da história de Enitan, um guerreiro yorubá que foi capturado na África em 1830 e, juntamente com sua família, é trazido num navio negreiro para ser vendido no Brasil. Realmente parecia que o livro caminharia por esse rumo, mostrando os sofrimentos dos negros e enaltecendo a trajetória daqueles que tanto foram explorados e conseguiram vencer na vida.

Porém, já no capítulo seguinte, conhecemos Sueli e, para mim, foi a partir daí que o autor “se perdeu” em seu objetivo inicial. Começou um tal de falar e falar, repetidamente, da bunda, dos seios, dos órgãos sexuais – muitas vezes de um modo bem chulo e repetitivo – que, para mim, passou a ser um pornô com protagonistas negros. Sim, há sexo sem prevenção, o que acaba acarretando em “problemas” já muito conhecidos: doenças e gravidez.

O terceiro personagem ao qual somos apresentados é Nenel, filho de Sueli, homossexual e, apesar das limitações da cidade de Campos dos Goytacazes e da sociedade para com sua cor, bem-sucedido. Nesta etapa, a “pornografia” continua rolando solta e acontece até incesto!

Aparentemente, as histórias de Enitan, Sueli e Nenel, bem como de outros personagens, não possuem ligações. Entretanto, eu diria que, nesse sentido, o autor conseguiu me convencer, colocando o casarão como ponto central e, por que não, até como se fosse um personagem também.

De qualquer modo, é preciso dizer que esta foi uma das piores leituras que realizei no ano de 2016, bastante decepcionante. Ao contrário de enaltecer os negros, afundou-os na lama, mostrando-os como bandidos, promíscuos e sacanas. 

Com narrativa em 3ª pessoa, não há redenção de nenhum dos personagens, o final não é feliz e, mesmo contendo um ou outro ponto positivo de reflexão, com certeza os negativos foram maiores, então não recomendaria a leitura, até pelo tanto de erros de revisão/digitação que o livro possui.
   

Frases Marcantes

“É impressionante como a morte atrai esse tipo de gente. Morto não tem privacidade, fica ali exposto, sua vida comentada pelos cantos, alguns exageros, muitas mentiras, conversas mudando de tom quando se aproxima alguém da família, quando o que era pecado cochichado virava virtude em voz alta.”

“Havia uma proposta por escrito que era encaminhada à diretoria dos clubes, com uma biografia reduzida e retrato, preto e branco, do candidato. E aí é que a coisa pegava. Como sua foto tinha mais preto do que branco, a proposta era sempre recusada nas reuniões de diretoria. Claro, alegando outros motivos, que ninguém ia ser besta de afrontar assim o célebre Afonso Arinos. Afinal, eram cidadãos de respeito, seguidores da lei etc... etc... E mais toda aquela baboseira e falsa moralidade de cidade pequena.”

“Nos seus devaneios, o amor não tinha preço, não tinha sexo, era cego, e estava na atitude, na renúncia, na dor. Ele havia lido em algum lugar que ‘quem ama daquela forma sofre... algumas vezes de realização, outras de felicidade’ ...”

“Um escândalo daqueles era um prato feito, e muito bem temperado, para uma cidade, onde se ocupar com a vida dos outros era, e é, o esporte mais popular.”

“E, assim, a vida continuava implacável em seu rumo, com cada um deles encarando, impotente, as penas impostas por seus próprios atos, sendo perseguidos, indistintamente, pelo mal ou pelo bem que haviam plantado, prisioneiros dos grilhões dos seus carmas individuais.”

“Como já dizia D. Nedilha, velhinha esperta, com os irônicos olhinhos miúdos brilhando: ‘tempo é relativo, tudo depende de que lado da porta do banheiro você está. Sentadinho lá dentro, você nem imagina quantas horas são apenas cinco minutinhos apertado do lado de fora’”


Capa e Diagramação


A capa é toda fosca e foi bem construída para esta história, sendo um dos fatores determinantes para eu querer ler. Os capítulos sempre se iniciam em uma nova página, que são levemente amareladas, e uma ilustração separa um capítulo do outro. A diagramação está bonita e o exemplar possui orelhas.
A fonte possui um tamanho pequeno, o espaçamento entre linhas é bom e a numeração das páginas fica na parte inferior central. Há vários erros de revisão/digitação, que em alguns momentos prejudicam a leitura.


Nota



Autor

Esdras Pereira, mix de fotógrafo, jornalista e empresário, com apenas 14 anos de idade iniciou sua carreira de fotógrafo no estúdio de Dib Said Hauaji e, aos 15 anos, já dava os seus primeiros passos na imprensa como fotógrafo do jornal A Notícia, em Campos dos Goytacazes – RJ. Aos 17 anos passou a atuar no Jornal do Brasil, no interior do estado, ao lado do jornalista Aluysio Cardoso Barbosa. Algumas aventuras da dupla na caça de grandes reportagens, principalmente na área do petróleo, foram descritas no livro “Jornal do Brasil – História e Memória” (Editora Record – 2016), da jornalista Belisa Ribeiro. Foi professor de Codificação Visual no Curso de Comunicação da Faculdade de Filosofia de Campos. Ingressou no jornal Folha da Manhã ainda antes de sua fundação e atuou por décadas na linha de frente da sua redação, onde atualmente é colunista social e mantém um blog no site desse grupo de comunicação, o principal do interior do Estado do Rio de Janeiro.
Hoje, aos 57 anos, Esdras divide seu tempo entre suas paixões pela fotografia, o jornalismo e a gastronomia, em Campos dos Goytacazes – RJ.


Onde Comprar



O livro é uma cortesia do autor Esdras Pereira. A resenha realizada aponta pontos positivos e/ou negativos encontrados pelo autor do post no decorrer da leitura. A opinião do autor é pessoal e independente da editora e/ou autor do livro.


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